sábado, 2 de janeiro de 2021

Paz na tempestade

 MEDITAÇÃO DIÁRIA

Sábado, 2 de janeiro

Paz na tempestade

Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque Tu estás comigo. Salmo 23:4

Erasmo de Rotterdam, o maior intelectual europeu do século 16, viu-se, certa vez, face a face com a morte durante uma viagem marítima. O veleiro no qual viajava encalhou e começou a despedaçar. Quase todos a bordo reagiram histericamente. Alguns passageiros invocavam seus santos, implorando auxílio, outros cantavam hinos ou oravam em voz alta.

No entanto, Erasmo notou alguém que agiu de modo diferente. “De todos nós”, escreveu ele, “quem permaneceu com mais serenidade foi uma jovem mulher que segurava em seus braços um bebê, ao qual estava amamentando. Ela foi a única que não gritou, chorou ou negociou com o Céu. A única coisa que fez foi orar calmamente, em voz baixa, enquanto abraçava com

firmeza o bebê.”

Erasmo entendeu que aquela oração era apenas uma continuação da vida regular de comunhão daquela senhora. Ela não pediu favores especiais. Simplesmente confiava em Deus.

Quando o barco começou a afundar, a jovem mãe foi colocada numa prancha, deram-lhe um pedaço de mastro para ela usar como remo, e despacharam-na para o meio das ondas. Precisava segurar o bebê com uma das mãos, enquanto tentava remar com a outra. Poucos acreditavam que ela pudesse sobreviver à forte arrebentação.

No entanto, sua fé e coragem lhe valeram nesse momento difícil, e ela e o bebê foram os primeiros a chegar à praia. Erasmo jamais se esqueceu da calma daquela mãe ao enfrentar uma situação tão difícil. Ela não se entregou ao desespero nem se apegou a deuses falsos. Seu único auxílio e esperança estavam em Deus. Não em um Deus de última hora, a quem a maioria recorre em caso de emergência, mas no Deus com quem convivia diariamente, em uma relação de fé e amizade.

Estamos nós preparados para desfrutar paz em meio à tempestade? Confiamos em Deus sem reservas, mesmo quando nosso barco parece afundar?

Reconheçamos nossa fragilidade, segurando a mão do Pai, nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente, não só nas tribulações, mas em todos os momentos da vida.

Rubem Scheffel, 9/7/2010

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